Mulher Gato

Iris era o nome de batalha de uma linda morena dona de um corpo muito bonito.

Figura graciosa, ostentava cabelos bem compridos, invariavelmente bem tratados,  vestindo sempre roupas bem sensuais.

Na boite ganhou o apelido de Mulher Gato porque usava óculos numa armação de gatinha na cor vermelha os quais ressaltavam ainda mais o azul intenso dos seus olhos.

Lembrava muito minha professora de matemática dos tempos do ginásio ensinando Equação do Segundo Grau e era certo que Iris também era professora  só que de uma matéria que me interessava muito mais.

A primeira vez que procurei  essa mulher foi com a ilusão de comer a minha professorinha do passado a quem, diga-se de passagem, homenageei com dezenas de punhetas.

Fomos para o quarto e ali gozei deliciosamente revivendo a tara que eu tinha por aquela mestra que eu desejara tanto na minha pré adolescência e enquanto socava a rola na Mulher Gato eu fantasiava ser o primeiro a penetrar a bucetinha delicada e doce da mesma.

Na sequência após aquele gostoso descanso quis completar meu sonho possuindo-a por trás o que ela negou dizendo que não fazia sexo anal mas, e nessas horas sempre tem um “mas”,  como tinha gostado da minha pegada poderia fazer uma exceção,  desde que eu,  naturalmente,  abrisse a carteira para lhe pagar um adicional.

Feito o acordo,  pago o combinado a bundinha tava liberada e aí era delirante ver o seu rebolado acompanhando o vai e vem do meu pau, sentindo o barulho do seu corpo indo de encontro ao meu.

Se entregava por inteiro e para apimentar a relação enquanto se fartava em oferecer o cuzinho gemia de uma forma que aumentava tremendamente a minha tesão.

Gemia e se masturbava com a mão dizendo:

_______Aí ! Aí !  Você tá arregaçando o meu cuzinho…….

_______Mete ! Mete bem lá no fundo………….

_______Aí ! Mas como é gostoso………….

_______Põe tudo ! Me pega com força………….

_______Fode, Fode……. Era na bundinha que você queria, não é ??????????

_______Então toma, toma ……………..

Dizia isso e empurrava com vontade a traseira na direção do meu saco.

E assim ia falando até que sem aguentar mais um segundo eu gozava como um cavalo estremecendo todo e dando urros de satisfação.

Nessa hora ao sentir que eu ejaculava fortemente começava a gritar:

_______Isso goza, goza gostoso pra mim…….

_______Que delícia…….

_______Eu também to gozandooooooooooo…….

Depois de alguns segundos, mesmo ela me puxando com as mãos para manter-me grudado no seu corpo o pinto murchava e aos poucos saia do seu ânus.

Vinha então aquele soninho gostoso onde o corpo totalmente relaxado ia voltando aos poucos para a vida terrena  uma vez que eu já havia concretizado com um pouco de  imaginação e muito de uma realidade incrível aquele desejo antigo que atormentava a minha imaginação.

Ainda em estado de graça surpreendi-me quando Iris, a mulher gato, com a carinha mais angelical possível, colocou os seus óculos de gatinha e falou sorrindo:

_______ Seu Malvado !

_______ Você judiou de mim !

_______ Tirou as preguinhas da minha bundinha.

_______ Agora tá doendo viu !

Fazia cara de zangada e com um biquinho completava:

_______ Nunca fiz isso…….

_______ Você foi o primeiro ……….

_______ Só com você eu fiz isso………

_______ Seu malvado !

Para completar sorria com uma pureza candente enquanto eu quase desmaiava de satisfação.

Eu sabia que aquilo era a mentira mais deslavada do mundo.

Ninguém ignorava que aquele teatro era só uma artimanha inteligente para nos arrancar mais dinheiro.

Não interessa.

Sabia que estava sendo duplamente enganado mas como era bom, como era gostoso ouvir aquelas palavras e imaginar que , finalmente,  eu havia realizado o sonho de comer a minha desejada professora de matemática.

 

 

Anúncios

LARGO DA CONCÓRDIA

O Largo da Concórdia sempre foi o coração pulsante do Brás.

Imponente, sobressaia naquele local a famosa loja Eletroradiobrás,  que vendia desde móveis até geladeiras em incontáveis prestações.

Nas calçadas,  tal como hoje,  os camelôs dominavam e vendiam pedaços de cocos que acondicionavam num aquário cheio de água, quebra queixo, cocada preta e branca, coco ralado na hora, amendoim torrado, maçã do amor , peças de vestuário, meias e tantas outras coisas.

O forte do comércio local,  desde há muito tempo,  sempre foi a área de vestuário , cama,  mesa e banho. Caravanas enormes de sacoleiros vinham como até hoje vem  de tudo  quanto é canto do Brasil  comprar  no Brás para depois revenderem em suas cidades as mercadorias ali  compradas.

Caso a parte era a mulherada que vinha ofertar o produto que a mãe natureza lhes concedera gratuitamente.

Mas se a natureza tinha sido generosa com as mesmas lá  a “xana” custava dinheiro e por assim dizer era tabelada.

Custava Cr$ 10,00 (Dez Cruzeiros),   o mesmo preço de um quarto em qualquer hotel de viração das imediações.

Havia hotéis no Largo da Concórdia, ao longo de toda a Avenida Celso Garcia e,  invariavelmente,  em todas as travessas da mesma que depois passa a se chamar Avenida Rangel Pestana.

A grande maioria desses hotéis sumiram.  Alguns foram abandonados e invadidos por moradores de rua, outros deram origem a lojas e  prédios.

Nas minhas andanças à procura de mulher fui parar num desses hotéis instalado em uma das incontáveis travessas mortas da referida avenida. Todo aquele entorno me fazia lembrar aquelas ruelas que aparecem nos filmes de terror que aparentam uma falsa tranquilidade pois não se vê ninguém andando na rua e onde no desenrolar da trama será cometido um assassinato.

Mas voltando a história, quando estávamos na recepção alugando um  quarto reparei encostados num canto vários maços de notas de Cr$ 1,00 (Hum Cruzeiro) amarradas com elástico.

Não entendi a utilidade daquelas notas que eram de um valor muito reduzido.

Porém assim que saímos do quarto,  os dois com um sorriso nos lábios, eu por ter aliviado a minha tesão e a garota que me acompanhava por ter faturado mais um cliente percebi a utilidade daquele numerário.

O fato é o seguinte:

Como havia hotéis para todo lado aqueles  que se localizavam próximo dos pontos centrais onde as meninas ficavam se exibindo faturavam alto dia e noite enquanto os outros ficavam as moscas.

Daí os proprietários desses hotéis mais afastados pagavam uma “caixinha” de Cr$ 1,00 (Hum Cruzeiro) para que as mulheres ocupassem esses quartos com seus clientes, ou seja, a cada homem que ela levava  recebia na saída Cr$ 1,00 (Hum Cruzeiro)  o que na verdade elevava o valor do seu programa para Cr$ 11,00 (Onze Cruzeiros).

Esta era a utilidade das notas de Cr$ 1,00 (Um Cruzeiro).

Era o Marketing fazendo sucesso na zona tupiniquim e como sempre  o homem  bancava tudo.

 

Polícia do Exército

       Antigamente o local mais famoso da vida noturna de SP Capital era a Rua Augusta.

       Hotéis refinados, restaurantes sofisticados, cinemas de arte, bares descolados e boites incríveis reinavam absolutos nessa área.

       Dentre as boites mais famosas da época havia a Blen Blen, a Casablanca, a Saint Michel, a Twist Apple, a Pigalle e tantas outras.

       Nesses locais as profissionais do sexo podiam entrar gratuitamente mas se quisessem fazer um programa com algum cliente conquistado no interior do night club em que trabalhavam deveriam pagar uma taxa fixa  para sair acompanhadas.

       É bem verdade que era sempre o homem, maior interessado, aquele que pagava o valor para liberar a mulher , as bebidas e as demais despesas decorrentes.

       Minha Boite preferida era a Sasha”s que ficava bem próxima do Caesar”s Hotel onde, certa vez,  conheci uma jovem morena que se não era tão bonita tinha um corpo espetacular.

       Quando a vi logo de cara decidi que terminaria minha noite com ela num dos hotéis das imediações. E assim, após aquele lero lero inicial , acertamos nossas diferenças e resolvemos sair em busca de alcova para  divertir -nos a sós.

       Na mesma calçada, não muito longe dali,  ficava o Hotel Lido e para lá nos dirigimos aonde solicitei aposento.

       A recepcionista sem nem olhar para o meu rosto deu-me a chave do quarto nº 11. Não sou supersticioso mas ao ver aquele nº tive um maú pressentimento e solicitei outro quarto.

       Fui informado então que aquela era a única acomodação disponível e se quisesse trocá-la deveria aguardar na recepção até que algum casal saísse.

       Sem querer esperar pois a tesão já estava borbulhando nas minhas veias apanhei de volta a mesma chave e subimos as escadas.

       Já dentro do nosso ninho de amor nos abraçamos, beijamos e fomos tomar banho onde nos esfregamos e enxugamos reciprocamente.

       Logo após,  nesse clima de desejo,  fomos para a cama onde aquela mulher diabólica proporcionou-me uma espetacular chupetinha fazendo meu pau ficar duro como aço.

       Rolávamos de prazer  pelo leito e justo no momento em que ela cavalgava minha vara com vontade batem na porta gritando:

       _______Polícia do Exército

       _______Abre logo a porta

       _______Abre logo, rápido

       Não preciso dizer que aquilo foi um balde de água fria na nossa relação e imediatamente senti meu pinto amolecer até quebrar aquela conexão que nos mantinha divinamente unidos.

       Com toda aquela gritaria rapidamente a garota saiu de cima de mim e assustada passou para meu lado esquerdo enfiando-se embaixo do lençol.

       Eu atarantado fiquei alguns segundos sem ação mas devido a insistência e com medo que derrubassem a porta vesti minhas calças e fui abri-la.

       Assim que virei a chave três grandalhões vestindo uniformes do exército e usando capacetes verdes gravados com as iniciais P.E. na cor branca entraram e quase me derrubaram.

       Senhores da situação ordenaram que eu ficasse encostado na parede de pé enquanto inspecionavam o quarto.

       Olharam tudo, inclusive em baixo do leito, o toalete, e até no interior de um pequeno armário encostado num canto que imagino fazia muito tempo que não era usado.

       Nada encontraram e talvez para não perder a viagem avançaram em direção a mulher que estava comigo no intuito de tirá-la debaixo do lençol no que me opus.

       Nessa hora ameacei chamar o gerente, a polícia, o papa e os cambau caso não abandonassem imediatamente aquele quarto.

       Percebendo que haviam exagerado um dos soldados, provavelmente o mais graduado, pediu-me desculpas pelo acontecido explicando que estavam atrás de desertores portadores de drogas e que lamentava o constrangimento que me causara.

       Dito isto , deu-me boa noite, virou as costas e foi embora com aqueles gorilas.

       Assim que saíram fechei a porta, tirei a roupa que vestira e voltei para a cama mas , confesso, estávamos muito abalados e eu brochara violentamente.

       Ficamos naquele impasse até que achei melhor desocuparmos o quarto e renegociar o valor combinado pelo programa que, infelizmente, não aconteceu. Ofereci 50% e ela aceitou facilmente.

       Depois lavou-se e  vestiu-se rapidamente, pegou o dinheiro e saiu dizendo apenas  ” Tchau “. Nem obrigado falou.

       Assim que me vi sozinho filosofei comigo mesmo:

       _______ Eu sabia !

       _______ O nº 11 não me dá sorte.

PICA PAU

Quando se paga para ter sexo sem compromisso visando apenas o prazer encontra-se de tudo na noite.

Pica Pau,  cujo nome de guerra na noite era Mariana, ostentava uma vasta cabeleira sempre pintada de vermelho, daí o seu apelido.

Tratava-se de uma mulher bonita com um sorriso malicioso, bem articulada e que dizia ser estudante de jornalismo na parte da manhã,  numa faculdade particular.

Trabalhava a noite  na Boite Orange cujo nome oficial era Orange Club, casa notável do meu amigo Paraná.

Mariana era muito esperta e quando subia com um cliente pela primeira vez já informava que se o mesmo quisesse poderia chamá-la fora do horário em que trabalhava na boite e pagando o mesmo que pagava lá poderiam ficar juntos por um tempo bem maior no motel visto que ela não precisaria dividir os seus ganhos com a casa.

A primeira vez que subimos juntos ela confidenciou-me que além disso gostava de programas com uma pegada mais forte e  que por isso adorava mordiscar, morder e dar chupões no corpo do cliente  que  invariavelmente o deixavam marcado por vários dias.

Se o homem concordasse a transa subia de nível e a mulher se mostrava diabólica enlouquecendo o cliente de prazer.

Tudo começava no banho onde Pica Pau não economizava nos beijos e dependendo do cara permitia até ser beijada na boca.

Depois na cama era aquele escândalo de gemidos e gritos que elevavam a tesão pra lá de mil graus.

Porém o que a distinguia das outras garotas , além da cabeleira vermelha, era a tara já confessada de morder, mordiscar e dar violentos chupões no corpo do cliente, principalmente no pescoço e tórax , quando,  segundo ela,  estava gozando junto com o amante.

Nessas horas sempre dizia:

_______ Aí que tesão ……

———–Eu tava querendo….

_______Mete Gostoso……

_______Me pega com força……..

_______Ah… To gozando……..

Ato contínuo dava violentos chupões e mordidas no tórax e no pescoço dos felizardos.

Assim era muito engraçado chegar no club a noite e encontrar vários homens com marcas visíveis no pescoço que as exibiam com orgulho como se fossem troféus.

Alguns iam mais longe no seu delírio achando-se o melhor dos machos alfas e naquele bate papo de botequim diziam :

_______Rapaz, tá vendo…….

_______Comi a Pica Pau ontem …….

_______Sou macho pra cacete……..

_______Ela gozou muito comigo…….

_______Olha as marcas aqui…ó…….

Sinceramente nessas horas eu pensava comigo:

Caramba,  nós homens somos uma verdadeira comédia.

Boite Paraíso

No bairro da Água Rasa, Zona Leste de SP Capital vários comércios disputavam a fama daquela região.

Os mais antigos certamente se lembrarão da Loja da Bagunça localizada quase no final da Avenida Alvaro Ramos de frente para o antigo Largo da Água Rasa que não existe mais.

Competindo com essa loja que vendia todo tipo de utensílio doméstico existia a Padaria Vinhais, instalada na esquina da Rua do Acre com a  Rua Mogi Mirim,  a qual produzia pães deliciosos que derrubavam qualquer dieta.

Por fim como joia da coroa tínhamos a Boite Paraíso . templo dos boêmios inveterados,  pois era a única no gênero que funcionava no dia de domingo até a madrugada de segunda feira.

Localizava-se em cima da referida padaria e a entrada era pela Rua Mogi Mirim através de uma pequena porta que conduzia a uma escada  que dava acesso a Boite.

Uma de nossas brincadeiras preferidas  nesse dia era  ficar plantados no bar,  que dava de frente para a escada,  saboreando um café ou qualquer outro aperitivo,  e ver chegarem senhores acima de qualquer suspeita,  trajando bermuda, camiseta e chinelos caseiros e  tentar adivinhar qual a mulher que escolheriam.

Invariavelmente quem errava o palpite  pagava a rodada.

Estes distintos pais de família aproveitavam o álibi da compra do sagrado pão na manhã de domingo para darem uma “rapidinha” naquele horário.

Era uma verdadeira operação de guerra pois  tudo tinha de correr milimetricamente dentro do reduzido horário da ida  a padaria sendo que os mais espertos deixavam combinado o próximo programa com uma semana de antecedência.

Havia até aqueles que num excesso de cuidado solicitavam touca plástica para os cabelos a fim de evitar destruir o álibi numa eventual distração durante o rala e rola na hora do banho em conjunto.

Depois, satisfeita a primeira obrigação do domingo,  aqueles homens desciam satisfeitos e alegres com a vida para retornarem ao seu lar levando o sacrossanto pãozinho francês do café da manhã em família.

 

FEROCE

Logo na entrada da Boite vários objetos chamavam a atenção de quem desconhecia o local.

O primeiro era um aquário enorme de forma retangular apoiado numa mesa própria, ambos encostados na parede da escada que conduzia às suítes do piso superior.

Nesse pequeno oceano,  peixes de variados tipos e cores nadavam entre miniaturas de navios afundados, cavernas de pedras coloridas, ostras que abriam e fechavam e mergulhadores de cujo traje, em conjunto com as ostras, saia oxigênio que dava vida àquele curioso ambiente.

Na parede oposta havia um quadro com refinada moldura onde um gaiato num raro momento de inspiração eternizara os seguintes versos de pé quebrado:

POESIA

Lalá ficou Lelé

Porque Lili

Deu o Loló para Lulú

Mas a sensação mesmo era o boneco FEROCE.

Esculpido em madeira tinha talvez 50 cm de altura e representava um frei franciscano.

Bem pintado, tinha no rosto bonachão a marca de um sorriso irônico.

Completavam a figura a tonsura nos cabelos que pareciam naturais, as sandálias de couro e a batina , ambas na cor marrom.

Ficava apoiado na ponta do balcão do bar e acima do mesmo havia uma tabuleta onde se lia:

“Meu nome é FEROCE”

“Empurre minha cabeça para baixo”

É lógico que todo novato era praticamente obrigado a empurrá-la e ao fazê-lo acionava um mecanismo sonoro que soltava uma gargalhada galhofeira enquanto saia de dentro das vestes do mesmo um enorme pinto de ponta vermelha que se recolhia quando se soltava a cabeça do boneco.

Era uma das brincadeiras da casa e servia como batismo para receber os noviços no local.